Do efêmero ao eterno
Pintura sobre papelão & Xilogravura | João Pessoa
Pinto sobre as cicatrizes da cidade.
Meu suporte não é uma tela virgem, mas papelão recuperado nas ruas de João Pessoa. Descasco a primeira folha para revelar as “tatuagens urbanas”: logotipos apagados, marcas de transporte, traços do cotidiano. Sobre essa pele de resíduo, pinto retratos que questionam a mestiçagem e a memória.
Mas a pintura sobre papelão é frágil, efêmera. Para fixá-la, transponho-a em xilogravura. Gravo a memória do retrato na madeira viva, transformando o instante frágil em uma obra permanente.
Do resíduo à raiz. Da marca urbana à impressão artística.
É aqui que o passado encontra a matéria, para nunca mais se apagar.