Do efêmero ao eterno: Memórias gravadas.
Pintura sobre papelão & Xilogravura | João Pessoa
Pinto sobre as cicatrizes da cidade. O papelão recuperado nas ruas de João Pessoa não é um simples suporte. Com suas camadas, logotipos apagados e marcas de transporte, é o espelho de nossas identidades múltiplas. Como uma pele urbana, carrega as etiquetas que nos colam, as estratos de culturas que é preciso descascar para revelar a fibra humana universal.
Mas essa pintura sobre papelão é frágil, efêmera, como o instante presente. Para fixá-la, transponho-a em xilogravura. Gravo o retrato na madeira viva, transformando o resíduo urbano em obra permanente. Esta passagem do papelão (o instante, a pergunta) para a madeira (a permanência, a resposta) é um ato de reconciliação. Reconciliar a França e o Brasil, a pele clara e a escura, o esquecimento e a memória. Aqui, não pinto desconhecidos. Pinto a prova de que a identidade é bela em sua complexidade.