A Pele, A Cinza e A Raiz.

1. La Cendre (Le Minimalisme)
Tudo começou com uma perda. O incêndio da minha infância queimou o supérfluo. Dessa cinza nasceu um minimalismo vital: a necessidade de criar apenas com o essencial, com o que resiste. O papelão recuperado, esse “resíduo” nobre, tornou-se minha homenagem a essa resiliência.

2. La Peau (La Frontière)
Antes da pintura, houve a tatuagem. Aprendi que a pele é uma fronteira. Na França, minha pele morena fazia de mim uma “pergunta”. No Brasil, sou a “Francesa”. Entre dois, busquei meu lugar. Pintar olhares é minha maneira de dizer: “Estou aqui. Sou complexa.” Minha arte é uma busca para provar que a identidade não se lê na superfície, mas na profundidade do olhar.

3. La Racine (La Réconciliation)
A viagem me trouxe aqui, a João Pessoa. Encontrei minha resposta na madeira. O papelão (o efêmero, o cotidiano) encontra a madeira (o ancestral, o permanente). Gravo para inscrever definitivamente esta união indelével: sou isto E aquilo. França E Brasil.